quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Letra M - (Estar) morto

Há quatro maneiras de conhecer Deus, disse o Sheik Sharf-ud-dîn. Há o homem que diz que certo senhor se encontra em casa porque ouviu dizer. Há um outro que afirma a mesma coisa porque viu os cavalos à porta. Um terceiro diz que o senhor está em casa porque o viu à janela, ou mesmo dentro de casa. E, por fim, um quarto, um homem para quem não há qualquer distinção entre quem vê e quem é visto, numa coincidentia oppositorum, numa al fanaa.
Sharf-ud-dîn ainda fala dum outro estágio, provavelmente o mesmo a que se referia Kamil Uddin quando gritou, pelas ruas de Aleppo, «eu sou Deus, eu sou Deus». Com isto, conseguiu que o torturassem e o matassem, como aconteceu a Mansur Al-Hallaj por ter dito frase semelhante ("Ana al-haqq", disse Mansur Al Hallaj). No cadafalso, kamil Uddin acrescentou: «E não existo». A frase que pode ser lida como uma total dissolução do ego, uma al fanaa ainda mais dissolvida, pode também ser uma forma de ateísmo: «Eu sou Deus e, no entanto, não existo». Antecipando Nietzsche, um dos seus discípulos escreveu no túmulo do mestre: «Está morto».

sábado, 28 de novembro de 2009

Letra P - Paleontologia bíblica: a coluna vertebral

O primeiro fóssil foi a serpente do Génesis: fossilizou-se nas nossas costas.
(Ari Caldeira, Subcamadas da Anatomia Humana)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Letra C - (Só para) contrariar

No Alcorão 6:144; 7:40; 7:73; 11:64; 12:65; 12:72; 56:55; 81:4; 88:17; fala-se em camelos. Só para contrariar Jorge Luis Borges que disse: "No Alcorão não aparecem camelos. Como foi escrito por árabes, não foram considerados necessários.”
(Nikola Szabó)